
Sou restolho da estrada que escolhi, lágrima de orvalho da manhã que não vivi, sou registo de falta dissimulada, sou perto de vontade de tanto quanto nada. Sou a respiração acelerada de viver, sou a força desnecessária que farsa ser.
Sempre sendo mais do que eu, menos do que alguém, sempre sentindo-me como refém da voz suave que me ilumina, da sensação que me fascina.
Tentações de extrema fraqueza, ilusões de beleza. Sou como o rio que corre para o mar, sem saber o que vai encontrar, sou como a estrada que continua no nada, sem saber onde vai acabar.
Sou riso forçado de compaixão, medo profundo de solidão. Sou eu, aquele pequeno adorno de porcelana frágil e fácil de quebrar que se torna forte porque se faz acompanhar de abraços infindáveis, de carinhos memoráveis, de recordações e perdões, nesta história sem fim.
